"O amor é poderoso"
“O amor é poderoso porque torna a vida amável — e justamente por isso é tão bom. ”
{Lucas Lujan, em ‘Amar para não ser em vão’}
Meu amor é refúgio.
E sempre vai ser.
Quero que, quando o mundo for cruel, você saiba que pode voltar para mim. Que encontre no meu abraço a paz que procura, a calma que merece, o cuidado paciente de quem recolhe e cola, um a um, os pedaços quebrados de alguém.
Quero ser a sua casa. O seu sofá. O seu moletom favorito: aquele velho, furado e manchado, do qual ninguém consegue se desfazer. Quero ser a pessoa para quem você liga quando tudo dá errado. Aquela em quem pensa primeiro quando acontece alguma coisa absurda ou engraçada: “Ele vai se mijar rindo disso.”
Eu quero ser a sua pessoa favorita para voltar.
Mesmo quando sou eu quem causa a sua dor, eu quero que o seu primeiro impulso ainda seja ficar perto de mim. Talvez seja por isso que, quando te machuco, eu insista em te tocar, em te abraçar. Porque eu sei que é justamente nessa hora que você mais precisa de carinho. Quando não admite. Quando quer mandar o mundo inteiro embora. Quando quer, inclusive, me matar. Ainda assim, eu quero continuar sendo o seu refúgio.
E eu já te disse: nunca vou te disputar.
Nunca.
Porque refúgio é o lugar onde se quer ficar. Se é preciso convencer, prender ou obrigar, já deixou de ser abrigo. Sem desejo, todo refúgio vira cativeiro.
Talvez eu pense assim porque cresci em um.
Cresci animal em cativeiro. Cresci aprendendo que amor era uma lista de regras que eu precisava cumprir para não apanhar. Para não ser exposto. Para não ser trancado no quarto escuro e entregue a uma solidão imensa, com dentes de medo e um estômago de desolação, daqueles que devoram a gente por dentro.
Animal em cativeiro desaprende a liberdade. Passa tanto tempo obedecendo para sobreviver que, quando a porta finalmente se abre, já não sabe se aquilo é uma saída ou uma armadilha. Às vezes, nem sai. Às vezes, volta sozinho para a jaula, porque até o sofrimento conhecido parece mais seguro do que o desconhecido.
Foi assim que aprendi a amar: confundindo permanência com prisão, silêncio com paz, medo com respeito. Demorei muitos anos para descobrir que alguém pode ficar porque quer. Que um abraço pode ser convite, e não algema. Que existe um amor em que ninguém precisa diminuir o próprio corpo para caber.
Por isso, hoje, quando amo alguém, meu maior desejo não é que essa pessoa nunca vá embora. É que ela nunca precise fugir de mim. É que ela nunca se sinta presa ao meu lado. Porque eu conheço o olhar de quem permanece sem poder partir. E esse olhar nunca foi de amor.
Eu quero que, enquanto você ficar, seja pela mesma razão que um pássaro escolhe um canto: não porque as asas falharam, mas porque encontrou seu ninho. Eu sou seu ninho, seu carinho, sua aceitação quando o mundo inteirinho diz não.
🐦⬛ Sobre o peito e o peso.
🐀 Quem eu queria ser hoje.
🦋 Sobre o tempo e o que se faz dele.





