⭐ "Já não cabe mais"
“Há um momento em que você se olha e percebe que já não cabe mais em si mesmo. Não é rebeldia, não é pressa… é uma espécie de ruptura interna que acontece sem barulho, mas muda tudo. […] Hoje entendo que permanecer onde não me reconheço é uma forma elegante de desaparecer. E eu não nasci para sobreviver pequeno.”
{Noar Beaumont, em ‘De todos os amores, o próprio’}
A segunda-feira sempre vem para ensinar o que você não suporta mais.
Ela se derrama, escorre pelo domingo à noite, como um cansaço grosso, um desânimo amargo, um jeito de não encontrar um lugar na cama.
E quando isso acontece, você sabe: é hora de mudar tudo.
Viver é um verbo que você não conjuga mais. Sobreviver sim, viver, não.
Você começa a perceber isso nos pequenos sinais, quase imperceptíveis. Não é um colapso, não é um grito, não é uma decisão heroica tomada de uma hora para outra. É mais parecido com um deslocamento interno, como se alguma coisa em você tivesse saído alguns centímetros do lugar e, de repente, nada mais encaixasse direito. A rotina continua, os horários continuam, as conversas continuam, mas você já não está exatamente ali. E “quem quer partir, já foi metade embora”.
O corpo vai primeiro. Ele pesa na segunda-feira de manhã, resiste ao despertador, demora mais no banho como quem tenta adiar o mundo. Depois vem a mente, que começa a fazer perguntas inconvenientes: O que exatamente estou sustentando aqui? O que em mim está sendo gasto para manter tudo igual? Qual preço estou pagando para continuar?
Porque há um momento em que a permanência começa a parecer mais perigosa do que a mudança.
Não é coragem ainda. É saturação.
Você percebe que passou anos ajustando o tamanho da própria vida para caber em lugares estreitos: relações que pedem menos de você, trabalhos que exigem que você seja uma versão reduzida de si mesmo, rotinas que não ferem o sistema, mas também não alimentam nada vivo. É confortável o suficiente para continuar. E vazio o suficiente para adoecer devagar.
E então chega a segunda-feira.
Não como inimiga, mas como revelação. Ela mostra com uma clareza quase cruel aquilo que o fim de semana tenta maquiar: que existe uma distância crescente entre quem você se tornou e a vida que ainda está levando.
E essa distância começa a doer.
Não é uma dor espetacular. É uma dor baixa, contínua, como um ruído de fundo que você não consegue mais ignorar. Ela aparece quando você abre o e-mail de trabalho, quando repete a mesma conversa pela centésima vez, quando percebe que seus dias se tornaram previsíveis de um jeito que não tem nada a ver com paz.
Tem a ver com apagamento.
Porque existe uma forma muito silenciosa de desaparecer: permanecer exatamente onde você já não se reconhece.
É assim que muita gente passa décadas vivendo uma vida que já não é sua.
Não por covardia. Mas por hábito.
Não por falta de desejo. Mas por medo de desorganizar tudo.
Só que chega um ponto em que continuar custa mais caro do que partir.
E quando esse ponto chega, a segunda-feira deixa de ser apenas o início da semana. Ela se torna o primeiro indício de que alguma coisa em você já começou a ir embora.
E agora, você precisa ir atrás. Como?!
Eu sei.
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